sábado, 28 de novembro de 2015

Sou eu nisto


Sou do tanto,
quanto sonho,
tendo o tanto que disponho
nos quatro cantos.

E em mim, feito amuleto,
em cada composto
todo nervo exposto
fez-se obsoleto.

E uma floração no terceto,
não (des)denuncia a prova
que marca e reprova,

ou eleva e contrapõe, de certo,
e de certo nada é mais nova,
que a velha forma de Soneto.

Pra Jorge Amâncio


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Luzir


E o Sol borda o dia,
este, o de ontem,
e antes, e sabe quem?
Quem sabe, diria?

Verto de mim, signos,
sentado no fundo
da caverna do mundo,
vendo fagulhas, imagino,

o mundo real, além daqui,
e aqui, e em toda cova,
que nem esta, que a nós desova

neste sonho de luzir,
cada uma e um de nós,
desde os nossos mais antigos avós...

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Inclusivos


E era gente sem teto,
sem tato, lado ou tampa
e em cada bueiro infecto,
ainda há quem lamba...

E era vasto sem vista,
como um armazem
onde ninguém tem
e querem que se invista..

Viver então comporta,
remédios e largos curativos,
nos mantendo vivos,

feito a cantiga que exorta,
re-planta matagais nativos,
que nós todos, pensemos inclusivos!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Aprender que é ensinar


Se me ponho olhando,
o que realmente aprendi,
nem me lembro bem...

O aprendizado é sendo,
um "do que vivi"
e do que ainda vem.

Eu canto esta cantiga
nebulosa e clara,
fecunda, vulgar, rara,
novíssima e tão antiga,

porque sou só cantar,
ar que reverbera,
vento pela terra,
num aprender que é ensinar...

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Histórias


Vim foi cantar estas,
velhas minhas histórias,
sofridas e alegres memórias,
de prantos e festas,

de portos e costas,
de estradas e vilarejos
de céus, dons, desejos,
alguma Luz, muita noite posta...

Pois sigo a caminhada,
e se me segue soturna,
uma suspeição noturna,

chegarei à madrugada,
como tenho chegado
e minhas histórias contado.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Música


É dentro, in,
de si, insofismável,
canta e é admirável,
e veste-se, assim,

cores graves esvoaçantes
contas de belezas leves
e ventanias breves
em dedos delirantes,

voando sobre as cordas,
acordes em verde,
em saciação de sede,

em mim de tudo acorda,
de saber desta rede,
que em tudo, a cada veste.

domingo, 22 de novembro de 2015

Lamber as luvas


Os encantos da corrida,
que o dia pede, e solta,
e pelas idas e voltas,
em cada coisa ganha vida.

E então corremos,
ao encontro de tudo
do sempre absurdo
do que não temos.

E nas penumbras,
lousas, lingeries, chapéus,
separando o corpo do céu,

ensinando a lamber as luvas,
e dos altos, ver as pelejas,
aqui, além, onde quer que seja...