quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Do trabalho



O trabalho desgasta,
tira as lascas do couro,
prometendo pagar em ouro,
até só sobrar a casca...

O trabalho consome
a vida de quem o faz,
planta o alimento, e o traz,
e o prepara pra quem come...

As trabalhadoras dão a vida,
dão a água, o agasalho, o teto,
e não entanto, ninguém às convida,

pro banquete ignóbil e abjeto,
que os ricos fazem do que roubam
pra que os pobres trabalhem, e morram...

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Da jornada e da construção


Numa estrada de ventos
vãos e soltos, dispersos,
eu caminho concreto,
troco passos diverso e lento...

Neste caminho de rochas
pontiagudas, duras, cortantes,
eu sobrevoo distante
me guiando pela luz das tochas...

Seja como for o seguimento,
antes estarão meus passos,
dizendo o que sou e faço,

antes estará o sentimento,
de que seguir dá o sentido,
e de longe, é que se vê o construído...

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Ela


A angústia que parece eterna,
de onde procurar os rumos,
me faz equilibrar nos prumos
e confiar em minhas pernas,

pra seguir esta estrada velha,
caminho antigo renovado,
sempre de novo caminhado,
mas com cara de novas telhas,

de novo alicerce, das janelas,
mostrando velhos quadros
colorindo sons abstratos,

emoldurando-nos lindas telas,
onde seremos mais raros,
quanto mais somos como ela...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Lua


Um vasto vazio
atávico e desmesurado,
mínimo e bem comportado,
muito quente de frio...

Corredores abertos,
Universos concretos,
neste espaço sincreto
de aqui, e lá, e perto...

Eu e nada sorvi,
feito um espaço vertente,
onde haja nada e gente,

e mais nada por fim,
que de gente anda cheia
a Lua, mãe em fase alheia...

domingo, 10 de dezembro de 2017

Protagonismo da grua


Houve um tempo,
em que nada significa.
Tipo um vento,
esfriando a canjica,
uma Lua,
que não mais fosse nua...

E eu de dentro,
fui cantando a cantiga,
alimento e alento,
ser, de mim o que fica,
e da estrada mais crua,
bondades e maldades, minhas e tuas...

Vou, vivo e vendo,
de certeza viva,
que o Mar, e o relento,
abrigo, alimento e Diva
em tudo e por tudo atua,
protagoniza e vê tudo da grua...

sábado, 9 de dezembro de 2017

Do que nos uniu


Numa velha cocheira,
nem mais tão grande,
nem sequer mais inteira,
nasceu um ser de onde,
que de miúdo se expande,
dos meios até as beiras...

Era lugar de guardar
os bichos e suas coisas,
e palhas, frutas do lugar,
selas e arreios de divisas,
e ali sentindo as brisas,
da Luz que nos veio brilhar,

uma senhora/menina pariu,
e com seu companheiro
uma claridade dividiu
conosco, e o mundo inteiro,
pra quem viu, depois ou primeiro,
no que o Divino nos uniu!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Dia e noite


Se fosse uma hora,
uma Lira girando
em compasso de ponto
em feitiço de flora
de função de vento,
de compasso de alento...

Quem sabe a Deusa
aprendia a Valsa,
que nos cadafalsa
e tira da mesa...
Quem sabe extinguia,
pra eterno ser o dia?

Eu era só sonho 
e nuvem e margem
ave, vento em aragem,
concreto medonho,
em pranto e alegria,
de noite e de dia...