segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Realeza


Que o dever se sobrepõe
à canseira do dia a dia,
disso, a gente já sabia...
Feito os ciclos, que se repõem...

Mas e o inédito, que se pensou,
que pelo conhecimento viria?
Que é, este balde de água fria,
que o cotidiano nos deixou?

Sei que o eterno guarda surpresas,
como a liberdade de sonhar,
o Universo inteiro pra voar,

e a deliciosa fartura sobre a mesa...
Mas, isto há mesmo de bastar,
quando descobrirmos nossa realeza?

domingo, 20 de janeiro de 2019

Os Tambores


Luz e sombra. Meus componentes,
minhas obras primas vinculantes,
hoje, mais que nunca antes,
o que nos faz ser, o que faz a gente...

Hoje caminhei entre a beleza,
real, matreira, simples e cordial,
como o sonho estranho, e fatal,
onde, alguém, se esconde da realeza

que a mim, ao menos, disfuncional,
como a comida estragada nos armazéns,
um herdeiro funcional clamando pelso bens,

quando nada daquilo lhe é ancestral,
se  não, o esquecimento dos labores,
que criaram tudo que há, até os tambores...

sábado, 19 de janeiro de 2019

Movimentante


Tem uma coisa intrigante
acontecendo no tecido
da vida, dos meios, sentidos,
que é o acontecido a todo instante...

Nós, é que não somos percebidos...
Cada um é que não se liga,
que continua tocando a cantiga,
enquanto a gente se faz distraído...

E se diz traído, quando por fim
percebe que a estrada continuava,
e morria aquele que parava,

antes de sentir-se feito Serafin
que voa cada momento a todo quadrante,
eterno, porque movimentante...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Sem mais

 
Se sou um artista,
quem é que vai
ter sobre mim a vista
que não aumenta, nem subtrai?

Se sobre esta vista
que atua como entra e sai,
por mais que eu insista,
o "pano" nunca cai?

Não quero ser nem mais
nem menos que sou:
a bolha de dúvidas que restou,

uma canoa num gigantesco cais,
um sorriso atoa, depois: "passou"...
Este ser que destôa, em seus ais...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Vicissitude


O novo abre as pétalas,
espalha o inebriante perfume,
(e há quem aja, que o fume...)
e de novo aponte pras estrelas...

No estojo de cheiros, antes,
está o cheiro do nosso caminho,
com suas delícias e espinhos,
e a força dos que são retirantes...

Verei a bebida de cada lugar,
como o direito pelo inédito,
que faz tudo, e não leva o crédito,

mas que pulsa em cada Quasar,
que se extrapola no Universo, encante,
dos que já se via nas matas distantes...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Celebração

 
As cantorias serão eternas,
enquanto o desejo de cantar,
puramente se manifestar,
feito o movimento das pernas,

feito o sentido real do vento,
ou a revelação contida nas ondas,
nas geometricidades redondas,
ou na fineza volátil de um pensamento...

As verdades maiores, serão mais ternas,
sentindo o passar dos anos, das eras,
no valor do leve, antes da quimera,

feito a delícia da água da cisterna,
mais que o calor do deserto desafiador,
pra quem caminha, celebrar o amor...

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Displicentes?....


O dia em que nasce
a mãe da gente
é como se nascesse
a gente, e quem mais viesse?

No dia em que nasce a gente,
mais coisas, das que passam,
nos entreteem, nos disfarçam,
alguém, além de nós, sente?

Serei eu sábio mais que incipiente,
ou doido das virtudes dolorosas,
que em vez de Tertúlias, sofridas prosas,

das de Machadão, e outras gentes,
saberei marcar nos livros, nas glosas,
nas eternidades displicentes???...