terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Gonzaguiana...


Foi na terra anunciado
que nasceria uma criança,
faria da Alegria sua herança,
e começaria um reinado...

Entre os pretos e pobres
chegaria em terra lusófona,
em bailes de pandeiro e sanfona,
trabalhando pela preguiça dos nobres...

E veria do povo a sina,
que se mantém por assassina,
e se sustenta na maldade,

na cobiça e na iniquidade,
denunciada em Baião de Rei,
Gonzagas toadas que canto e cantarei...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Fazendo...


Eu sobrevivo sobre um piso
elevado alguns metros
no ar deste lugar certo,
onde ser gente angular é preciso...

Ser rente e retangular é conciso,
é distante, errante e vulgar,
não leva mesmo a nenhum lugar,
mas vê no Luar alegria e improviso...

Aqui, neste moldar-me cotidiano,
varro as nuvens de tempo e pulsar,
carrego móveis como a procurar,

casa em meu peito, incauto e insano,
como quem busca leite e carinho
e observando, e fazendo o caminho...

domingo, 14 de janeiro de 2018

Orfandade


Numa manhã, cantei
algo assombrado e lindo,
entre maltratados benvindos,
feito um presente, me dei...


Porque se dar pra quem
não possui mais nada,
nem a flor na estrada,
a quem deu, é que faz bem...



E eu neste egoísmo polido,
me disfarço, e distraído,
canto pra crianças, num lugar,


presas pelo crime cometido,
de serem pobres, pretas, vagar,
sem pertencer a nenhum lar...

sábado, 13 de janeiro de 2018

Tanto quanto


O mundo roda, nas voltas,
se vira nos vastos,
se conspira nos astros,
nos inspira e revolta...

A vida, que nos prende e solta,
se monta nos reveses, 
somando segundos e meses,
cantando as mais belas notas...


Eu sigo extremo e conciso:
uma curva sensata e infinita
que não nos liga a alguma conhecida,

mas se estende ao impreciso,
ao multiverso de cores e lidas,
existindo tanto quanto as nossas feridas...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Ínfimo


Numa velha história,
na porta da sala, de sola,
de vento em frente, decola,
cada bizarria da memória... 

Por fora nada ocorre!
Por dentro uma enzima
se combina com sua prima,
e uma nova química escorre...

Somos extratos de vento e Luz!
O que tocamos são símbolos,
sem necessário vínculo

com as imagens que o olho produz!
E o Eterno se faz ínfimo,
com o Universo em abraço íntimo...

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Da Melodia


Sobre e longe, aspergir
o choro e o argumento,
a tristeza, e o cimento,
construindo um porvir...

Em outro, um sussurrar,
ou um vento solto no batente,
de onde a vista alcança a gente,
e de repente, não mais se calar...

Eu sei que o seguido mostra
a verdade das pérolas das Ostras,
a realeza das cordas da Viola...

E chorar, nem mais consola...
Quero é a melodia ainda não ouvida,
a melhor do dia, do período, da vida... 

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Vida


Era uma onda, parte a parte,
que vagava seus pontos
no ar de sopros tontos,
tantos e tão poucos alardes...


Era um ponto em parábolas,
vastas e minúsculas áreas,
de cores ínfimas e várias,
convivendo com dores malévolas...



A alegria, uma Luz no escuro,
um vagar sem sentido,
encontrado, sensato, perdido...


As certezas subindo no muro,
e descendo com fé, e alaridos,
clareando tudo mais que era escuro...