quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Das pernas, e da canseira....


A canseira deu nas pernas,
deu nas horas, nas estradas...
Era só eu cantando e mais nada,
e tudo lembrava a escuridão subalterna...


Eu era cantante, entre ausente e aqui,
e só pude ver o que se passava
quando olhei pra cima da murada,
e escutei atentamente os Bem-te-vis...


E fui vencendo, em mim, a raiva,
na estrada sentida, nas razões desta vida,
que cantada, representada ou vivida,



mostram e choram a realidade assertiva,
cantam e vertem a realidade nova,
feito o peixe, que na água que vive, se renova...

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Cuprum


Tanto trabalho, tanta lida,
e num simples movimento
da pena que balança o vento
se pode perder quase tudo da vida...

Quanto assunto, quanta sorte,
tem a distância de quem age, 
daquele que se empenha na vadiagem,
ou do outro que nem teme a morte?

Eu não quero saber mais
do infinito azul que nos cobre...
Quero saber agora do Cobre,

Cuprum, dinheiro, recurso contumaz,
que veste os dias, planta sonhos,
e retira meus sombrios pensamentos tristonhos...

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Lado a lado



Eu te abençoo, te infinito,
pelo que vivemos, de bom,
de ruim, de de fato som
que construiu um viver bonito...

Eu te peço sua benção,
pra ser viajante iluminado,
e andar pelos certos lados,
e cantar meu canto oração...

Este eu, de gratitude verdadeira
canto e cantei tantas vidas,
fiz e curei tantas feridas,

que nem sei a hora inteira,
o passo dado, o certo, o errado,
sei o que é estar lado a lado...
 

domingo, 16 de setembro de 2018

Eternidade


Numa Loa assuntando o tema,
fez-se em mim, noite de imediato,
e menos alto, mais azul e mulato,
o dia criou-se em suas Pembas...

Em suas horas, se sente, se lembra,
que o estado de coisas repetidas
faz-se inexato em cada uma das lidas,
e nas demandas, criam-se as lendas...

Reconheço a falta de sentido,
a fala dos atrasados inscritos,
a certeza dos costumeiros proscritos...

E não serei mais que denunciante,
da beleza solta das verdades,
e a destreza destroçante da eternidade...

sábado, 15 de setembro de 2018

Do amor que subindo...

 
Se uma corda vibrando,
infinitas vezes menor que um átomo
num Universo, se soltasse como
fosse uma bolha se expandindo,

e se eu, numa Viola tinindo,
tirasse harmônicos da alma,
e sentisse a canção desde as palmas,
e por ela, corda aberta, fosse subindo,

ainda assim, não seria tão lindo...
Exato e belo feito despertar,
do lado da boca sonhada, sonhar,

com o amor, que sempre vindo,
e que veio pra me acertar,
sempre pro alto, subindo...

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Eu e tu


Sempre é bom te ver...
Cada vez é sempre nova,
feito Peixa que deixa as ovas,
pro Peixo fertilizar e prover...

Sempre é novo o antever:
imaginário leve, solto e vertido
das asas disto que temos sentido,
das horas do ainda vamos perceber...

Eu sou e serei o análogo invertido,
o imediato ocorrido antes
de ser, das horas delirantes,


das imagens, do inadvertido,
que sempre nos surpreende,
liberta, ataca, afaga, prende...

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Cantiga


Então, se ouviu, vindo
pelo ar que transmite,
um alarido que se emite
e se harmoniza, tão lindo...

E eu, este canto errante,
em busca de acertos dentro
e fora, em cada vento,
no espaço de todo instante,


tive a honra, a alegria,
de ouvir a toada que veio,
das beiradas de todo meio,

das eternidades, da letargia,
da rapidez de toda vida,
feita de chegadas e partidas...