sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Despidas


Quem já viu
a cor do vento,
ou o lado de dentro
de um assobio?

Quem saiu,
do primeiro fermento:
Pão, ou faminto?
Quem comeu?

Busco as cores,
ainda não vistas,
as mais coloridas,

ou as inferiores,
superiores perdidas:
As de pudores, despidas... 
 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Porvir


Santo quem será?
Quem conheceu,
viu, viveu, bebeu,
ou sentiu chegar?

Ouço que caminhar,
por estas cidades,
campos e tempestades,
nos ensurdecerá?

Ouso pensar,
e isto tanto dói,
quanto constrói,

mas realizará.
E quando surgir,
santificará o porvir...

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O que se verá nascido



Uma velha novidade,
pra quem pensa na vida
como a própria corrida
de toda a humanidade:

Muita maior o vindouro,
que cada vida em si...
E todas compõem um jardim,
onde a União é o tesouro,

que aponta o rumo iluminado,
nesta estrada tão dura,
com destino à Fartura!

E apesar de nos terem machucado,
e termos sido mortos e esquecidos,
raia em nós, o que se verá nascido!

Em homenagem à Buenaventura Durruti

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Universos


Quantos foram os astros,
passados no arco do escuro?
E Grilos, e pássaros obscuros,
nas noites de choro e arrasto?

Eu hoje quero
me prometer canduras,
me permitir gostosuras,
com as quais me recupero,

sem pensar no que passou,
astro, coisa, pensamento,
atitude, falta, sentimento...

Sou um construído do que soou,
do som vertido no vento,
que venta nos Universos de dentro...

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

História das horas


Na história das horas
cantorias de alento
bem-vindas no vento,
por dentro e por fora,

sigo como fosse vendo...
Parecendo estar a procura,
como quem chega agora,
ou sempre se despedindo...

E o melhor se desenhando,
feito o desenho da Aurora,
a leveza do pensamento,


que pensa, faz e demora,
todo este nosso tempo,
em todo nosso imaginar vertendo...

domingo, 13 de agosto de 2017

No infinito


Andando, por aí,
soltando as pernas
e a ânsia delas,
nem saio daqui...

Na verdade, visto
o mundo, suas curvas,
retas, Abacaxis, Uvas,
feito terno de risco,


feito azuis e bemóis,
num canto aflito,
na roupa do instinto,

que voa sobre nós
e em nós é labirinto,
no miúdo, e no infinito...

sábado, 12 de agosto de 2017

Força


Uma Força, em forma
de canto veio pro centro
das bordas do vento,
pra bordar as horas,
atravessar dias e portas,
dar vez às vozes tortas...

Esta Força, do Sol vinda,
em si só se bastaria...
Mas não ouve nem um dia,
que não fosse pela pergunta,
que empregasse sua energia
de acordo com quem ouvia...

Essa Força só nos junta,
se for pela sua Democracia!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Ondas do mar


 O que faz alguém achar
que tem o direito de mexer
com a vida de outro ser,
e neste outro ser, mandar?

A ação da polícia nasce
do entendimento anti-direito:
pro preto pisoteado e desfeito,
é como se ninguém se amasse...

Somos irmãos, caminhando,
passos largos e curtos,
almas gentis contra estes brutos,

que hoje, estão mandando...

Mas, sabe as ondas do mar?
Eles também vão passar...

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Simples eternidade


Os povos contactavam 
as profundezas do espírito,
pelos vinhos do onírico,
seus cantos, que cantavam...

Hoje, se nos encanta
um qualquer soar parido,
terá força, e sentido,
será Sagrada lembrança?

Eu busco os sons miúdos,
o sussurro dos filhotinhos,
chilreio de passarinho,

daquilo que parece mudo,
mas canta a Divinidade,
pela simples eternidade...

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Estrela miúda


Eu me sento, todo dia
pra fazer pensamentos
virarem papel e vento
na forma de Poesia...

Porque sigo esta arrelia?
Eu nem sei dizer de certo...
Sei, que sigo de perto
uma estrela, que me guia.

Uma estrela miudinha
abandonada de estradas,
sem sair, nem ficar pra nada.

Esta estrela, que já foi minha,
agora, a sigo de longe...
Neste meu peito, onde se esconde...

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Invenção


Era uma cena tranquila,
uma clareira rodada,
colorida e ilustrada,
de frescor que se ventila...

No meio do nada
a vida floresce,
na Grama que cresce,
no Pato que nada,

na distância entre Ciprestes,
no voo da Rolinha,
na estrada que avizinha

gentes e agrestes,
trazendo e levando,
pra este mundo ir inventando...

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Nuances


Os gritos se apertam
no peito que arfa,
no que vem da garrafa,
n'onde os tiros acertam,
na estrada dourada,
cuja Luz orienta a caminhada...

Um velho cantante chorou,
seu tempo de lindezas,
colocando em cada mesa
a lágrima que entoou,

pra fazer este canto/certeza,
como quem lava
no que é e no que estava,

no Eterno e suas nuances da beleza...

domingo, 6 de agosto de 2017

Atrevimento

 
Um mundo se fez
do caos primordial,
radiante, radial,
central, de vau e vez...

Toda matéria girava
astros soltos e astúcias,
em Islamabade, ou Astúrias,
no Congo, na Arábia...

Esta matéria que escreve,
rodava em sonho inercial,
esperando em pleno potencial,

cantando com quem bebe,
plantando-se em lindo Rosal,
porque, à Alegria, se atreve...

sábado, 5 de agosto de 2017

Re(x) Presencia


A Poesia é por si
palco de ilusões,
criativas repetições,
de tudo que há por aí...

A capacidade Poética
criou no homem o invento:
emprestou-se do vento
a força para a vida prática,

e se fizeram moinhos,
movidos à água que venta,
na Poética que se re-inventa,

e às velas ensinam caminhos,
pra um mundo, antes pequenino,
agora eternizado, porque representa...

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Nova Passarada


Confetes e serpentinas,
caem sobre o vilão,
que segue em procissão,
suas premissas assassinas,
suas veleidades insanas,
sua ganância sacana...

Em carros ultra-modernos,
antepassados não morridos,
seguem o cortejo fedido
dos insepultos horrendos,
ultrapassados, nos matando,
pra se manterem vivos...

Mas a vida renovada,
há de ver voar nova passarada...

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ser corpo


Enquanto isso, nesse
tempo/espaço aberto,
sigo dormitante/esperto,
cantando profanas preces,

singrando os mares verdes,
os desertos em cinza e bege,
bérbere, navegante herege,
achando, flores, frio, sede,

encontrando velhos corpos,
entre destroços d'antes,
neles, meu semblante,

quando estes tinham fogo,
como este agora é, e tem,
o ser corpo, que vai e vem...

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Sem fim



Enquanto tudo mais
vai se desencontrando
nas praias, areias ventando,
sal nos olhos, e ais,
procurar uma sombra,
pode ser o que sobra...

Mas, quando a luz do céu
se verte entre difusa,
e claramente confusa,
me encontro com o meu
de cada sonho eterno,
recoberto do que entorno,

e aí, assim, crio de mim,
farturas de sem fim...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Novo dia


Nosso tempo mostra a briga
da ganância sem pachorra,
que dispara toda a zorra,
matando tanta cantiga...

Hoje há que se ser valente,
pelo (des)gosto de terra seca,
de cavalo, gado e cerca,
de vilania até indecente...

E nestas nossas cercanias,
tanto a gente foi perdendo,
que o triste, se vertendo,

com saudade da Alegria...
Só até vir o novo dia,
nos construindo e tecendo...