sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Civilitas


Sonhei que era um átimo...
Distante e metódico.
Errante e Galático,
descrente filósofo....

Coberto por Clâmides,
me vi velho Grego,
sob os Quítons, segredos,
Alexandre e Pirâmides...

Tudo e nada, Temístocles,
nas batalhas brutais,
desfizeram planos mortais,

des-inventando Cíclopes,
contra-acenando aos demais,
de que o invisível, não existe mais...

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Noite e dia


Eu também tenho
que deixar isto
de lado, ao lado, arisco,
por vir d'onde venho...

Pra ser o que sou,
quanto timbre vermelho,
vermouth, Escaravelho,
em quadrinhos se desenhou...

Insano e sapiente,
sigo destramente a rota,
como o rio que aposta,

nos rumos do facilmente,
nos caminhos que tem alegria,
pra ser eterno, noite e dia...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Da redução da maioridade...


Sobre "Crianças Negras" de Emmanuel Zamor

Era canteiro, e cresciam
flores, frutos e esperança,
nas plantas e crianças,
que brincavam, e aprendiam...

Mas, onde colocar a culpa?
Diz o sistema que os meninos,
se pretos, pobres, nordestinos,
sua existência já insulta,

e sua morte garante o lucro!
Há que se deixar claro,
que a clara pele manda o disparo,

e mata a infância no muro,
nas periferias, nos becos,
(pela lei, cada vez mais cedo...)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Histórias do quente da cama


Histórias florescem
dos gestos sãos e vagos,
das bondades, dos afagos,
que as belezas tecem,

e as tristezas malogram...
Cabe a quem conta
a direção pra que aponta,
e os detalhes que contam:

Como a têmpera da lâmina,
a solidez da palha de Grama,
a inexatidão da poça de lama,

a perplexidade que anima,
e assusta, intimida e chama,
nas histórias do quente da cama...
 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Leito


...e quando se encontra
o velho, o sortido,
em novo renascido,
em todo movimento?

Este diário desponta,
como a última Luz cega?
Ou virá o novo que verga
e insiste, e pro céu aponta?

Tudo que não sei, é o que conta?
A quanto movimento
a vida resiste neste meu leito?

O prazo não se exigue, desponta!
O planeta irá além com o vento,
e cantará Loas de onde hoje me deito...
 

domingo, 17 de setembro de 2017

Da origem dos passarinhos


Existe existência sem dor?
O labor que guarda e alimenta,
abriga, aquece e acalenta,
será disperso por este horror?

A um tempo, primeiras instâncias,
nas alegrias de cedo,
nos quintais e brinquedos
tudo e nada têm relevância:

A joaninha que sobe na acácia,
a aranha, ao ir se tecendo,
a vida, experimentada de infância,

Nos filhotinhos que vamos nascendo...
Mas, tudo morre na mó do moinho.
E cada canto sobe e vira passarinho!

sábado, 16 de setembro de 2017

Cada passo

Onde eu andei
só meus passos sabem...
"E saberá Deus",  pensei...
Mas os bobos percebem
que "andar é Deus"
E que isto, continentes nos deu.

 

E quanto nos dará?
E quem, realmente, ganha?
Se as mais sórdidas barganhas,
trocam a vida pelo bem virá? 


Onde cada um anda,
temos nos enfiado
             em caminhos
que só os passos,
e os destinos!



sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Caminhada



Só  por instante-
zinho, só um pouco,
por um grito rouco,
foi feito o ato errante.

E a humanidade caminhou!
Passo atrás de passo,
varando rios, criando espaços
desde que começou...

E o eterno se fez momento
por todo lado que se descobrisse
pelos cantos em que transitasse

Unindo terra e firmamento 
em terras novas, donde se visse
o novo que em quem caminha, nasce...

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Da mãe e do vento...


Um vento tocou
a terra vindo do céu,
e passando pelo chão,
nossa Mãe beijou...

Mãe que veste e verte
toda vida e movimento,
toda Paz e discernimento,
todo ar que vem do verde,,,

Ela deu seu beijo encantado,
com cheiro de flor e mangue,
onde tudo nasce e se expande,

pra que o vento fosse mandado
em sua missão de fecundidade,
e crie sem parar, pela eternidade...

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Tambores


Sons de tambores
vem vindo, de antes,
dos ventos cantores,
de tempos distantes...

A gente ouve dentro.
Ouve fora quando toca,
na rua ou na toca,
na praça ou em silêncio...

Um atamborado suspiro,
deu adeus à muitas vidas...
E em suas lânguidas lidas,

um tambor marcou a Gira,
de amores e festas,
devoções, e canções de seresta...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Sinas


A vida me desperta sinas,
em dias alternados
em velas, capins e bombocados,
sabedorias de velhas meninas...

Um dia em que me acorde
sereno e vespertino,
instantâneo, feito um menino,
saberei o que se pode...

Mas até lá, vou me aspergindo,
como um Papa na rua,
como a estátua que atua,

na cidade, que vai subindo,
e tem arranha-terras sem senso,
com gente faminta, convivendo...

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

SABIÁS de SÃO PAULO

A cidade de São Paulo
sempre me ensina tanto
sobre, dos Sabiás, o encanto...

Entre o que canto e calo,
vi que não a Laranjeira,
muito antes, a Pitangueira,

era o que havia nos quintais...
Quando não havia o tal,
e Piratininga era um Portal,
de coisas que não existem mais...

Mas... Aqui seguem os Sabiás!
E cantam de noite, Rouxinóis,
e colorem e alegram pela voz,
e abundância, que a lembrança traz...

domingo, 10 de setembro de 2017

Cidade

Uma cidade soa
sons de dor e cor,
timbres de ferro e flor,
que, aos seus, magoa...

Aqui se mostra sem roupa
o encontro marcado,
entre o abandonado,
e quem o rouba...

Se vê fortunas encarradas,
passando por gente,
que nem tanto se sente,

porque não tem nada...
A fome é convidada e presente,
nesta opulência inconsequente... 

sábado, 9 de setembro de 2017

Jornada

(In) vertido será,
vertido de si?
O contrário antes, aqui,
de ser adversário, revelará!

Quem luta contra
o que dentro tem,
com aquilo que vem
por fim se encontra

                                          Com o que, por negada,
                                          síntese fortalecida
                                          retrato da própria vida

                                          não conta pra nada
                                          mas é força contida
                                          nos passos da jornada.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Vertido




Por tantas terras
prédios, estradas,
trens, ônibus, paradas, 
mares e serras

Eu sigo solto
de sol colorido
de vento vestido,
quando estou, e volto...


E no chão, onde nasce
tudo que faz sentido
planto-me em alaridos, 

De um canto que cresce
e se entende tecido
do amor de si vertido!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Velho


Era velho
de fato e foto,
de voz e foco,
de luz e espelho,
de som e fundo,
ancestral a tudo.

Cantarolava assobios,
numa estrada vazia
enquanto nada havia
enquanto fazia frio...
Tudo pra correr
sem se entreter...

Sei que tem vindo
me visitar à noitinha.
nas leiras das vinhas,
nas margens, como, sorrindo,
quem insuspeitadamente, diz
ser  surpreendentemente, feliz...

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Do que de Amor ardeu...


Sabe que eu 
tinha visto que
antes de te ver,
eu tinha algo de seu?

Vejo que o breu
propriamente não
se vê, ou se toca com a mão...
Quem tentou, padeceu...

De alguma forma
canto o que sucedeu
à algo que nunca se deu...

É o que me conforma.
Pedindo pra entrar no que é meu,
o Amor, que a tudo transforma.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Terra


O dia se abriu
de Sol de setembro,
e até onde me lembro,
se mais claro se viu,
eu mesmo não era,
que me lembre agora...

É um claro tão grande,
que parece um canto,
que em mim gera espanto,
feito vela que leva longe,
se tem barquinho navegador,
se tem mar por onde for.


E se tem terra,
fora e em mim, sem fim,
até o horizonte, em que se encerra...

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Fetiche


Quem sabe comer dólar?
Que pratos se faz
com euros, rupias, reais?
A quem serve este "valor"?

O dinheiro engana a vida!
Faz o trabalhador se esquecer,
que tudo vem de seu fazer!
E nada existe sem sua lida!

Que grande mentira a escassez!
Tudo nos é farto e pleno,
e pelo trabalho um mundo sereno

de gente se dando as mãos terá vez!
Por que tudo que existe
esta além do dinheiro, este fetiche...

domingo, 3 de setembro de 2017

Vérticae


No vértice, tudo,
é forte, e roda rápido,
e brinca com o estático,
enquanto canta à fundo...

A terra traz forças
e as dissipa, reagrupa,
na literariedade da labuta,
que abstrai e a esboça,

com a certeza mais resoluta,
e amizade que resiste à lupas,
sincronicidade, que é nossa,

pois, não se saberá o sabor da fruta,
sem conhecer o suor que brota,
do corpo de quem canta, e gosta...

sábado, 2 de setembro de 2017

O que quer o Canto?


Este Canto, me aparece,
enquanto sigo seu Manto,
se em pranto, agonizante de Banzo,
ou vestido do que a Alegria tece...

Me faz verem os outros,
me permite fazer conhecer,
meu próprio dizer e viver,
igual ao viver de todos,

e diferente, cheiros e chispas,
vales, cantigas e vaus,
entalhes em vigas de pau,

belezas de doer as vistas,
e o sonho de não achar normal,
este mundo mal, e egoísta....

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Vida inteira


O que será já ter feito
tudo que se sonhava?
Que tamanho se dava,
pro que não se sabia direito?

Qual curva acentuada
se usaria pra calcular
um frio de inverno polar,
e uma Cuiabana madrugada?

O que se observa de tudo,
se registra nas poeiras,
nas águas e porteiras,

nas despedidas de defuntos,
nos alicerces e cumeeiras,
na eternidade da vida inteira.