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Detalhe do bordado de Aldinéia |
São sempre tantas lidas,
tantas lambidas de mãe,
de instantes de feras arrefecidas,
de naves lembradas,
em cantigas antigas,
em sonetos, modinhas,
marolas, mandingas,
miragens mais novas e lambidas...
Quem é o que vê, e o que é visto, na miragem?
Quem sabe quem esta, quem vê,
de que lado da paisagem?
O espelho reflete sua imagem?
Quem saberá, de fato?
Canta o vendedor de doces sua
cantilena azulada, fria e encalorada,
nas tardes onde a hera sobe o muro,
e o horizonte é inspiração, fervura e apuro,
na preparação da vida que a madrugada crua
é canto mudo, cão de desabsurdos falando de nada...
No vento ainda se escuta o andar de sapatos,
o ventar dos carros,
como fossem quem fizessem o movimento
onde o tudo o mostrasse ser insensato
fosse o que eles levassem por dentro...
Ah! Os carros...
Ah!, estes olhos de nem ver,
pensar que ver,
que tudo pensa ver
e o que não pensa,
em pouco tempo pensa,
e tudo flores ser, flores sendo..
Em tudo cantigar, em cada flor tecer.
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