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Desenho de Camilo Solano |
Eu então apenas sorria,
Feito um pato n'água,
Vento frio desfazendo névoas,
E, meu peito, só doía.
Sorrir era ao mesmo tempo,
Ferida e ferinte, eu, desmedido,
Eu próprio feridor, e de dor ferido,
Cantando pra desdoer por dentro,
Cantando por fora, pra quem escute,
Gralha no azul do céu de pinhas,
Antes que aqui quisesse ser a terra das vinhas,
Cantei sem pensar além, só no meu desfrute
Pois, antes que o Sol plantasse vida nas plantinhas,
Eu amanhecia sorrindo de minhas cantorias.
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