domingo, 7 de abril de 2013

O caminho do trono

Este meu dileto amigo, o senhor vento,
Passando por este escritório não respeitou
Papéis por sobre a mesa, os derrubou,
E sobre meu café, cinzas... que desalento....

Esta senhora, a mim muito querida, a claridade,
Me acordou pela manhã quando ainda,
Sentia os efeitos da noite mal-dormida,
Só pra me chamar pra enfrentar a realidade...

E a chuva então, que tirou de minha boca,
Com seus pingos frescos, o gosto do sono,
Que saboreava enquanto pensava que era dono,

Da terra, de todo alimento, do sapato, da toca,
Que nos foi deixado quando viemos ao abandono,
De ter que vencer a dor sentida pra chegar ao trono!

sábado, 6 de abril de 2013

Que nem se diga

... Mas me escapa a razão de parar.
Nada, nem nunca houve alguém alado,
Que ventasse a vida, e assim ainda ao lado,
Que nem aquele velho, filho da areia com o mar...

Ou este velho, que faço estes alfarrábios,
Como uma conta de contas coloridas,
Como um unguento pra todas as feridas...
Sou um velho que sonha um dia ser sábio.

Nasci velho, e já em bem tenra idade,
Sabia que sabia do que ainda nem sonhava,
Ainda que em sonho por vezes aparentava,
Que até em meu sem saber havia claridade.

Eu ainda era menino e já parava, por nada
Num canto escuro e claro, como o infinito,
Pra buscar o ar, inspiração, de um grito,
Que chamaria velhas experiências, re-visitadas.

Desde o começo que tudo sempre foi um caleidoscópio:
Sem fim de cores e belezas, sem nenhum ordenamento,
Toda a inspiração e nenhum anterior procedimento,

Que me passasse por sobre a dor, e que o estetoscópio,
Só ouvisse de meu coração sua batida de contentamento,
Acompanhando uma minha canção, pr'alma alimento.

E o mar, este mesmo mar que me trouxe de ares distantes,
Cantou-me importantes acordes da canção mais antiga,
Soprou sua flauta de corais, e se ouvia ondas na cantiga,

E me pediu que me lembrasse sempre, depois, agora, antes,
Que eu sempre terei por perto sua mão forte e amiga,
E que eu mesmo sou um inteiro feito de partes que nem se diga.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Enrede em Deus

Quando penso no que preciso, digo, 
"Quase passo", quase piro, quase solto,
A mão da corda que envolve o pescoço,
E deixo o fundo do poço encontrar-se comigo...

Quando penso no que vasculha minh'alma,
Meu alter/eu, involuntário como uma pomba,
Que voa solitária, inexata e lenta bomba,
Indo de encontro ao Palácio da perdida calma!

Assim sou eu, ou sinto sintético e sintático,
Como um saco preto que envolve quem morreu
Ou um suave enrede que ao fim se deu,

Que será quando nossa alma viverá o desfrute tático,
Conhecido em algumas paragens como o que sucedeu,
Minh'alma deitada na rede do Repouso em Deus..

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Harmonia nesta terra

O Bem-te-vi e o Pixorolê cantaram, logo ali,
Numa alegria que motiva a este aqui lembrar,
Que depois de toda a noite, a Luz enche o ar,
E nos sacia a sede de conhecer e sentir...

Em todas as palavras existentes, só gratidão,
Perfuram os vazares das agulhas que incomodam
Caminhos dos coseres que meus sensos bordam
Na imensidão do tecido que produz meu coração...

Na vazante do rio do mangue em amor com o mar,
Nas idas e vindas que fecundam nas águas e nas serras,
Em tudo que nada, caminha ou voa, n'alma encerra,

As cores todas do mundo, onde o olhar avistar,
As árvores no bosque do mundo, onde a Paz berra,
Seu sussurro de perfeição, tão em harmonia nesta terra.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Do que nos habita, do invisível!

Cumprir com minha responsabilidade,
As que eu mesmo me dei, na sensabência,
Como o inocente faz santamente indecências,
Eu assumi, quem sabe, algo de maior idade?

Mas, no que isto me faz um pouco menos responsável?
O passo a ser dado é o passo além do possível.
Um voo no espaço do eminente tangível,
Um capricho inesperado do Construtor do Imponderável!

É hoje, e aqui, que faremos a construção
Da verdade insuprimível,
Para além do simplesmente aprazível,

Pra que um posse eu ser são,
Como o pássaro terrível,
Que nos habita no invisível!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Lastrando meus ares

Sou como uma visão de mim, na neblina,
Quando meus olhos não me veem, e me admiram,
Feito um sonho que minhas tristes vistas já viram,
Em que, sem caminhar, dobrava todas as esquinas...

Sou uma espécie especial de simplório ordinário,
Uma que se sonha farrabeiras, sondácia, inventiva,
Se vê nas capas de alfarrábicas e exóticas narrativas,
Se lambuza da audácia que nos enche o imaginário...

Assim caminho aqui estes meus caminhos,
Como buscasse acariciar estrelas, ventos lunares,
Como buscasse eu vê-las como seres/altares,

Onde saciaremos nossa vontade do novo, novinho...
Meu desejo de que neste caminho, os meus calcanhares,
Sejam o toque do concreto, e que lastrem meus ares...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Neste dia

Eu vi o risco que corria, e ainda assim,
Segui como um vassalo da sombra, na Luz,
Do Sol, da Lua e no céu, onde cada Estrela reluz,
A Luz do mais alto, e onde tudo terá fim!

Ali olhei os estranhos rabiscos que desenhou,
Esquemas e indicações do caminho que é forte,
Como um passarinho do Sul, vivendo no norte,
Naquele terreiro claro, de noite galo contou,

E vendo tudo que vi tive muito medo,
Como um Curiango preso na Luz do dia,
Como um Carcará sem fome, fazendo acrobacias,

Assim escreveremos nós um novo enredo:
Histórias de maldição, Bendição, simpatia,
Memórias dos riscos vistos, agora, neste dia!