
Sigo então arriscando a vida por meu canto,
Em cada esquina, cada borda, cada passo,
Cada virada, cada coitada por quem eu passo,
Cada chão se abrindo e fechando em entretantos,
Em todos estes trampolins de belos azuis,
Todos estes lindos enfins do desentendimento,
Todos os nossos afins, que seguimos tendo,
Eu faço o que posso pelo que meu canto flui.
Porque o exercício mais doloroso é a alegria.
Como se machuca o palhaço e suas cambalhotas,
Sua vida rota, sem pressa e medo, parecendo idiota,
Dói, mas há de me trazer de novo o lampejo do dia,
Há de me mostrar que o novo sempre nos abarrota,
Arriscando a morte certa, alegre canto que me esgota.
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