domingo, 7 de fevereiro de 2016

Escriba


E ainda me faço
escrever, escravo,
escritor ignavo,
eu mesmo me amasso...

E me jogo, papel,
no lixo de escrivaninha,
(quem é que tinha?)
pra recomeçar o tropel...

Desta tropa que habita
meu peito palpitante,
(uma trovoada gigante),

que o coração velho incita,
pra fazer a canção mais bonita,
ou livrar o mundo de mim, num instante...

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Vagante.


Nem sei por onde
me daria, ou voarei,
pois que como fosse rei,
que do tempo se esconde,
tentaria um jeito são,
de avançar na escuridão.

Buscaria uma palavra,
ela mesma se dizendo,
tipo leveza se liquefazendo,
de uma inexistência escrava
da força disto que lava,
e cria a vida, a libertando.

E desde então, desta certeza,
com que me sigo e vento,
ou em minhas águas vertendo,
me farei na correnteza,
solto, vagante, vazio,
instantaneamente eterno e vadio.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Do que me voa


Minhas pernas voavam,
pelo meio do tempo,
e o ar, por dentro,
e as horas passavam...

Por que, ou por quem
passa-se o fugitivo
que, de si mesmo cativo
em seu andar me tem...

Eu sei, talvez, alguma rima
que me lembro de quando
versava-me por todo canto

e sei que é duro o arrimo,
e que me verto neste tropel,
eu meu cavalo, meu papel.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Do despertar do povo


Eu cantava hinos,
bradava bravatas
imaginárias, mas exatas,
certas pros cretinos...

Me lançava em passeatas
em comícios, discursos,
falava de amigos Russos,
imaginários camaradas...

E de imagem, em imagem
criei-me confiante,
que mais que tudo, antes,

me erguerá esta coragem
de acreditar no novo,
que sempre nasce do despertar do povo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Que alguém diga

 
O inesperado
nem pede,
já chega e pega,
o danado!
 
O inusitado,
se apresenta
voa  e venta,
feito um malvado...
 
Que nenhum é,
que o tempo é passado,
o futuro é só imaginado,
 
e tudo vibra até
se virar velha cantiga,
histórias que alguém diga...
 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Cantoar


Um canto se ventou
na chuva que me pareceu,
choveu-se e desapareceu,
pro vento dar de seu,

e mostrar a original,
e mais velha forma
em que música se forma
em novidade ancestral:

a cantiga do sopro,
energia no ar
terra a suspirar,

seus cantares em coro,
vento de todo lugar,
expirando, e inspirando o cantar...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Verbar

 
Sempre tenho tanto
pra falar, e agora?
Todo assunto ir-se embora
acaba por assuntando...

E penso neste tráfego,
tráfico, transito pensante:
d'onde vem este constante
constatar em que sigo?

Por que pra tudo consigo
uma história enxergar,
ou lembrar, ou criar,

como revelasse um abrigo
onde se produzisse o pensar,
e aqui, só sentir, vê-lo se verbar.